Raul Seixas-Por Byra Dorneles




Raul Seixas-o cachorro-urubu- vai morrer!!!

Todo jornal que eu leio, me diz que a gente já era, que já não é mais primavera,

Oh babe, a gente ainda nem começou!


Acabei de chegar de um show-festa em homenagem a Raul Seixas pela passagem de seus 20 anos, ausente. Raul nunca foi tão presente como nesses anos pós-morte. Eu não me recordo dele em vida, ali no meio dos anos 80 com tanto falatório em torno de sua obra. Me instiga isso. Quando Raul morreu meu filho e minha mulher não tinham nem 10 anos ainda. Meu filho não conta porque ele ouvia John Coltrane, Sonny Rollins, Paul Mc Cartney e Planet Hemp e algo de funk estadunidence que hoje, eu acho que não tinha preparação didática pra entender aquele inferno.

Jáa minha mulher é retrô por nascença. Conhece mais a musica dos anos 60 do que eu que vivi e ouvi, próximo, Crosby, Still, Nash e Young e Buffallo Springfield. Então eu entendo porque ela passou a ouvir a velharia dos 60 após se deparar com Nirvana e se perguntou de onde vinha todo aquele som.

Eu assisti um show do Raul no meio dos anos 70, acho que Hollywood Rock, no estádio de Remo da lagoa, no Rio, em que ele abriu pro Erasmo e Rita Lee, se não me engano. Ele cantou a metade do show encapuzado, tinha um guitarrista que dirigia com maestria a anarquia alquímica sonora que Raul propunha. Ele fechava o show lendo o manifesto, enorme, da Sociedade Alternativa. Nesse evento ele contava a estória que sempre achei inverossimel de seu encontro com Lennon e Yoko ( com Paulo Coelho) quando fomentavam a criação do pais imaginário, a Nutopia.

Após esse show do Estadio de Remo ele foi levado pro aeroporto, deportado, pela ditadura do Médici. Ele lidava constantemente com essa ameaça da repressao , uma questão de escolha. O cara que não estava acostumado aos códigos pré-estabelecidos. Não se se encaixava em nenhuma forma de organização dentro da MPB standartizada, caricatual ou do Rock B. Ou não. Lógico que seria preterido e ejetado pela clã baiana. ( Vide Sérgio Sampaio)

Novamente- o que me instiga? o que essa geração mais nova procura ou vê em Raul? Uma saída pro marasmo de suas vidas classe media com pão e manteiga?


?Babe, O que houve na França vai mudar nossa dança?


A espera de um mártir (como Cobain e Morrison) que morra sozinho viciado em éter e alcoólatra porque não tinha mais reconhecimento do seu trabalho, tanto pelas gravadoras quanto o seu publico que minguava a todo show? É a eterna espera de um avatar, de um salvador, enquanto todos ficam no poltronismo da TV , dando o valor póstumo ao um cara que morreu sozinho e pobre. Realmente não entendo.

Como disse James Joyce, Raul foi guiado por uma utopia, de esperança,de desespero, comovida, buscando agudamente a transfiguração da linguagem poética, no inicio com Paulo Coelho (sim, o mago!)

Na obsessão com os limites, falando na sua propria lingua -e sendo estrangeiro- que no final os homens dilaceraram porque era inempregável , excluído e sem préstimo ao estado global (da globo) ou a sociedade?


Preste atenção, e dê o devido valor ao cara enquanto vivo, porque Raul vai morrer!!!!


ps: pra Georgete e Raul Miguel, o filho que teremos.


Saiu no Blog Boca Suja

SEXTA-FEIRA, 18 DE SETEMBRO DE 2009

Byra Dornelles, Poéta Urbano

O Que deus fazia antes de criar São Paulo?


O Byra Dornelles é daquele tipo de atuante que não sai de foco nunca, mesmo depois da efervescência “zineástica” de anos atrás ele ainda continua produzindo sem parar. O Bira entre outras atividades fazia o fanzine FREAKOUT onde abordava temas diversos. A vários anos aqui em Sampa eu tive a oportunidade de conhecê-lo em um evento que aconteceu na livraria FUTURO INFINITO localizada em uma das ruas mais chiques e caras da America latina, Rua Oscar Freire. Me falha a memória de qual foi o nome do evento, pois aconteciam muitos do tipo aqui em São Paulo. Nesse evento onde a arte poética e a artes dos fanzines estavam ligadas participaram várias pessoas ligadas à cena underground, houve nesse dia sarau poético onde a poetisa Cecília Fidelli, Byra Dornelles, Jose Nogueira e outros poetas participaram.


Eduardo Manzano (camiseta do dracula), ao lado o sorridente proprietário da livraria futuro infinito, a poetisa Cecilia Fidelli (camisa branca), Lilian (na época namorada do Manzano), Byra Dornelles abraça Jose Nogueira, eu,ao fundo ( o mais preto), os outros amigos eu não lembro mais o nome.

No debate sobre fanzinagem estava o Laudo Pereira Junior, José Salles, Eduardo Manzano, Nogueira, eu entre outros, tudo isso aconteceu numa maravilhosa tarde de domingo. Lembro-me que o Bira até registrou o debate em um mini gravador para um futuro trabalho. Para conhecer as atividades desse zineiro das antigas é só visitar o seu blog.

www.byradornelles.blogspot.com


Byra Dornelles , poeta urbano, vale a pena conhecer seus trabalhos